Tocando agora...

Title

Artist

Background

Como o fim dos likes no Instagram afeta o mercado da música eletrônica

Postado por: on 23 de julho de 2019


O Instagram anunciou na última quarta-feira que faria um teste no Brasil, ocultando a contagem de curtidas e visualizações de vídeos nas publicações dos usuários. A partir de então, somente o dono do perfil poderá ver esse número total em suas publicações.

A empresa justificou a medida como uma tentativa de “ajudar as pessoas a focar menos nas curtidas e mais em contar as suas histórias”, buscando diminuir a competição tóxica por popularidade dentro da plataforma e melhorar a saúde mental das pessoas, já que um estudo da Royal Society Health elegeu o Instagram como a plataforma que mais causa ansiedade e depressão entre jovens de 14 a 24 anos.

um aleatório no tt @umaleatorionott

Vídeo incorporado

1.079

Informações e privacidade no Twitter Ads
421 pessoas estão faland

Eu tirando qualquer foto e postando sem medo de flopar. Obrigada Instagram.

Como explicou Mary Frasso, Marketing Manager do Cat Dealers, “as métricas do digital mexem muito com o ego, com a vaidade e por isso surgem as comparações. A competição fica basicamente no âmbito quantitativo e não no qualitativo”.

Mary ainda complementa que, “no caso dos artistas, é um tema ainda mais delicado porque por mais que um artista seja um ótimo produtor de conteúdo e tenha uma comunidade forte, o produto principal dele é a música, e nesse universo os números sempre falam alto. São plays, charts, valor de cachê e muitas outras coisas. Então é natural que as medidas de engajamento sempre tenham um papel forte na busca desse artista por um lugar de maior destaque no cenário musical”.

O fato é que, no mercado da música eletrônica, à primeira vista, ocultar likes vai ser muito bom e benéfico para todo mundo:

  • Para DJs/produtores, vai diminuir a angústia gerada pela comparação com outros do mesmo nicho e pela busca do feed perfeito em declínio do foco na autenticidade. Também haverá menos insegurança e autocensura para publicar conteúdos, já que diminui consideravelmente o risco de uma publicação “flopar”;
  • Os empresários e profissionais de marketing serão incentivados, junto aos artistas, a focar mais em qualidade, em contar grandes histórias, além de buscar identidade e personalidades únicas que permitam se conectar mais com os seguidores;
  • Os fãs também prestarão mais atenção no conteúdo, e isso, muitas vezes, significa seguir um artista pela sua música e não por sua popularidade;
  • Há maior chance dos produtores de eventos também valorizarem mais a música/conteúdo ao escolher um artista para o lineup da sua festa, e não se basear pelo número de curtidas que, às vezes, é inflacionado por contas fakes.

Embora ocultar os likes seja um importante passo, não resolve tudo. Por exemplo, os comentários vão ganhar ainda mais relevância como medidor de engajamento, e provavelmente, grande parte da ânsia por popularidade será transferida para isso.

Se por um lado isso pode se traduzir em ter mais postagens apelativas para chamar comentários, por outro, força o artista a realmente pensar melhor seu conteúdo em prol da qualidade e criatividade, já que exige muito mais esforço por parte do fã fazer um comentário do que simplesmente curtir.

É como aponta Gustavo Rozenthal, do Felguk: “A mudança é boa, pois ela acaba por dar mais ênfase nos comentários, que é uma forma de interação muito mais significativa”.

“Dez mil comentários abaixo e vamos soltar a música!” — Os Chainsmokers acabam de provar o que estamos falando.

E não é só isso. Talvez, a partir dessa atenção toda voltada para os comentários, a gente possa olhar com mais carinho e valorizar/fomentar comentários mais profundos e significativos versus coisas superficiais, como apenas emojis.

Felippe Senne, sócio-diretor do grupo HUB, resume bem: “No final das contas, eu enxergo esse movimento do Instagram como uma iniciativa positiva e madura da plataforma, pensando na saúde mental dos usuários e profissionais que utilizam de forma intensa”. E conclui: “O próximo passo seria ocultar o número de seguidores, para termos mais paz nessa guerra louca por números em redes sociais”.

Fonte: PHOUSE
* Matheus Tavares assina a coluna sobre mercado, marketing e música eletrônica na Phouse.


Reader's opinions

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *