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Tech house: a nova menina dos olhos do cenário eletrônico brasileiro

Postado por: on 8 de julho de 2019


Em 2018, pudemos notar nos eventos de música eletrônica brasileiros, principalmente em São Paulo, o declínio do brazilian bass e a ascensão de outra vertente: o tech house. Cada vez mais vemos DJs migrando de um estilo para o outro, inclusive adaptando suas tracks antigas em remixes e mashups para um lado mais tech houseiro. Essa tendência tomou conta da sonoridade das festas e não parou de crescer.

A popularização do estilo é nítida ao observarmos que eventos que aderem a ele estão tendo grande aceitação. Somente no ano passado, vimos grandes festivais nacionais fazendo essa troca. Se compararmos, por exemplo, as edições de 2017 e 2018 da Só Track Boa na capital paulista, a mudança foi gritante, impulsionada pelos headliners internacionais FISHER e Chris Lake.

Mas, não se engane em achar que isso surgiu do nada. O tech house é consolidado há anos na gringa, com grandes nomes como Green Velvet, Jamie Jones, Hot Since 82 e Patrick Topping, apenas para citar alguns. Aqui no Brasil, também temos diversos representantes de qualidade, como Dakar, GIOC, Gorkiz, Fancy Inc, Hippocoon, Rafael Carvalho, André Gazolla e Puka, entre outros — produtores que já vinham apostando anteriormente no estilo, e que hoje são verdadeiros mestres. Agora, eles ganham cada vez mais espaço.

“Há uns seis anos, eu produzia nu disco, que estava em alta, mas, quando chegava para tocar, acabava no tech house, pois era bem aceito nas pistas de dança — deixando, assim, minhas tracks de lado. Então, em 2014 dei uma repaginada nas minhas produções e no meu projeto como um todo, e passei a produzir tech house. Foi difícil começar praticamente do zero, mas estou feliz desde então. Acredito muito no gênero, que sempre foi forte lá fora, e fico contente que está crescendo no Brasil”, comenta Dakar, em contato com a reportagem.

Tech house
Dakar tocando na elrow. Foto: Reprodução

O crescimento é também uma tendência mundial, haja vista que o estilo ganha cada vez mais espaço em festivais comerciais como o Tomorrowland na Bélgica e as residências nos clubes de Ibiza. Um ótimo exemplo que podemos citar é o mais novo projeto paralelo de David Guetta, o Jack Back, lançado no ano passado.

Podemos dizer que um dos grandes responsáveis — senão o maior — por esse estopim foi o próprio DJ australiano FISHER. Desde seu primeiro EP, Oi Oi, lançado pela gravadora Dirtybird no fim de 2017, suas tracks “Stop It” e “Ya Didn’t” bombaram nas pistas do mundo inteiro. Mas o sinal mais forte de que isso era só o começo veio com o single “Losing It”. Em poucos dias, a track tomou conta do mundo e foi a mais tocada pelos DJs durante o Tomorrowland.

You Little Beauty
O australiano FISHER agitou o mundo com “Losing It”. Foto: Reprodução

No Brasil, a tendência foi confirmada por alguns dos maiores expoentes do mercado, o que pôde ser observado das novas tracks de Vintage Culture e dos recentes sets do Cat Dealers ao novo projeto de Raul Mendes, o Pirate Snake — e claro, sem deixar de citar os garotos do Evokings, que migraram no momento certo e souberam surfar a nova onda. A nossa nova realidade é que os filhos da EDM agora curtem tech house.

Outro bom exemplo é o menino do “prato que voa”, Pleight (antes conhecido como Banzoli). O projeto comandado por Eduardo Banzoli, de apenas 23 anos, chamou a atenção de artistas nacionais e internacionais com suas produções, inclusive da gravadora LouLou Records, por onde conseguiu lançar seu EP This B, e do portal gringo Your EDM.

O impacto gerado por todo esse rearranjo no cenário nacional, evidentemente, também se reflete na chegada de novos eventos voltados ao tech house. O expressivo crescimento da festa espanhola elrow aqui no país, depois do absoluto sucesso da primeira edição (organizada pela Plusnetwork em dezembro de 2017), e a sua chegada ao Laroc Club em junho de 2018, com sold out em menos de duas horas para o seu retorno marcado para o próximo dia 13, comprova a adesão ao ritmo.

“Não acredito que seja um crescimento por si só, pois a cena de tech house sempre existiu. É mais um ciclo dela, num momento em que se tem uma maior oferta de eventos que não necessariamente reflete um aumento do público consumidor desse estilo”, afirmou Mario Sergio de Albuquerque, sócio do Laroc. “Não vejo um festival de 20 mil pessoas lotado por causa desse gênero, mas pode-se ver um público flutuante e curioso que busca novos sons. Mas a base disso sempre existiu. Essa maior oferta gera essa possível evidência da vertente e a atenção de novos adeptos. Porém, nossa indústria só tem a ganhar com tudo isso!”, concluiu.

Outro evento que sempre acreditou nesta linha de som e já segue para sua oitava edição é a festa paulista Mov.E, que aposta em promessas da cena nacional e headliners de respeito. Sua próxima edição, que acontece neste sábado, dia 06, no Espaço Modular em São Bernardo do Campo, promete atrair muitos novos curiosos do tech house com seu lineup de respeito: o dinamarquês Noir, juntamente com o colombiano Kamilo Sanclemente e os brazucas Dakar, Guss, Spuri, Binaryh, Leo Diniz e Dhar Cad (você pode saber mais sobre a festa aqui).

O produtor da Mov.E, Vitor Takiishi, também compartilhou conosco a sua visão: “Acredito que a musica eletrônica é cíclica e precisa constantemente se reinventar. Vejo o mercado mainstream um pouco conturbado no momento, o que abre as portas para novas sonoridades. O tech house sempre esteve aí. A Mov.E surgiu em 2017, ano em que o som do FISHER começou a se popularizar.

O sucesso na pista era nítido e até atingiu o mercado mais comercial — não tinha como não apostar na vertente, até porque é impossível não dançar com ela. Para esta edição, teremos o Dakar comandando essa linha, seguido por Leo Diniz, uma grande aposta que já está deixando sua marca no cenário paulistano”, declarou.

O movimento do tech house no Brasil é uma tendência que parece não ter data de validade. Seria esta a nova bolha do mercado de música eletrônica nacional?

Fonte: PHOUSE/Por Rafa Ribeiro
* Edição e revisão: Flávio Lerner

 


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